Está cada vez mais perigoso circular com dinheiro nos distritos assolados pelos ataques terroristas, apesar do conhecimento que as autoridades têm da falta de serviços bancários, devido à destruição das agências bancárias por parte dos insurgentes.

Conforme contam as fontes, as pessoas que viajam com dinheiro dos distritos assolados pela insurgência para a Cidade de Pemba, em particular comerciantes informais, são detidas ou vêem os seus valores arrancados pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS).

Ao que “Carta” soube, o cenário vive-se, sobretudo, nos Postos criados à entrada das vilas e junto dos dois Postos Policiais criados nas duas margens do rio Montepuez, ao longo da EN380. O exemplo, contaram as fontes ao nosso jornal, é de um funcionário dos Registos Civis e Notariados do distrito de Muidumbe, que só conseguiu prosseguir com a sua viagem porque apresentou guias emitidas pela sua instituição.

Situação similar aconteceu com um agente económico do Posto Administrativo de Mucojo, distrito de Macomia, que terá sido detido na posse de mais de 1 milhão de Mts. As fontes dizem tratar-se de um agente económico conhecido na região e que tem ajudado as FDS com sua viatura para suprir algumas necessidades pontuais. As fontes justificam que o referido agente económico viajava com o referido valor, pelo facto de o banco comercial instalado na vila distrital de Macomia não estar operacional.

Para além do aperto à circulação de “dinheiro vivo”, as FDS têm também limitado a circulação de produtos alimentares, sobretudo, no seu embarque na praia de Paquitequete, na cidade de Pemba, onde os “comerciantes” são exigidos a factura dos produtos e a licença da barraca.

Fontes contam que, na passada terça-feira, alguns cidadãos e comerciantes informais que carregavam seus bens para um dos barcos que saiu daquele ponto, na madrugada da quarta-feira, para o distrito de Mocímboa da Praia, foram cobrados 200 Mts para a emissão de uma suposta declaração de compra dos produtos, apesar de terem apresentado as facturas de compra.

Entretanto, fontes militares asseguram à “Carta” que o aperto à circulação do dinheiro vivo na província visa eliminar os possíveis focos de financiamento ao grupo que, há mais de dois anos, espalha terror e luto nos distritos da zona centro e norte da província de Cabo Delgado. O mesmo acontece com o aperto à aquisição, em massa, de produtos alimentares para aqueles distritos quase desabitados.

Refira-se que os comerciantes (sobretudo informais) têm sido conotados como financiadores e/ou correios de financiamento dos insurgentes, assim como responsáveis pela logística alimentar dos insurgentes.

Outra situação por que passam os cidadãos residentes naqueles distritos é a falta de documentos. Segundo contam, viajar sem documento de identificação é um motivo para ser acusado de pertencer aos insurgentes.

Fonte: Diariomz

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